terça-feira, 9 de junho de 2009

A primeira vitória do PSD de 2009

Algumas perguntas...
O PS perdeu claramente as eleições europeias. Os resultados mostraram que a maioria do eleitorado que votou - cerca de 62% dos eleitores optaram por não ir às urnas - optou pelo PSD (31,7% contra 26,6%).
A esquerda continua maioritaria (PCP e BE tiveram 10,7% cada um) e o CDS/PP 8,4%Para lá das sondagens - há uma da SIC que mostra que se as eleições europeias fossem hoje, o PS ganhava com quase 40% dos votos - e da abstenção, estas eleições europeias podem ser consideradas como a primeira volta das legislativas?
Dito de outra forma, como é que o País político irá reagir nos próximos meses? Haverá remodelação do Executivo? Tem o Governo legitimidade para avançar com as grandes obras públicas? Estará o PSD em condições de ter uma dinâmica de vitória? Como irá reagir o eleitorado de esquerda e de direita?

Ainda o voto

Todos temos uma palavra a dizer na democracia que, lembro, não está ganha, garantida e deve ser construída todos os dias. E enganam-se os que pensam que, lá por estarmos na UE estamos safos de uma ditadura. A URSS e o muro de Berlim também não caia nunca, lembram-se?
A meu ver, só combates a abstenção de uma daquelas formas, nenhuma delas a perfeita. Tudo o resto, são processos de intenções que se arrastam desde que há eleições livres em Portugal...
Volto a dizer. Não podemos ser treinadores de bancada, dizer que está tudo mal, que "eles" são uns malandros e, quando nos pedem opinião, ficamos em casa para não sustentar "aquela corja". Isso, para mim, foi chão que deu uvas...
Todos temos responsabilidades e todos temos que as assumir. Podemos ser abstencionistas, claro que sim. Mas serve para quê, mesmo?

O voto e a abstenção

1º Desde que tenho direito de voto nunca faltei a nenhuma eleição. E sim, é verdade, também já votei em branco quando não me identifiquei com nenhum dos candidatos e das suas propostas. Hoje acho que esta é uma arma pífia!
2 º Acho que a não ida às secções de voto é um direito que assiste a qualquer pessoa, mas acima de tudo, considero uma enorme falta de respeito e uma falha de carácter e de cidadania. Falta de respeito porque ainda não há muito tempo, o voto não era universal e, entre os que podiam votar, havia mesmo algumas "chapeladas". Mais: muita gente lutou para que esse direito fosse consagrado. Por uma questão de respeito, até a essas pessoas, o votar deve ser uma questão de honra de qualquer pessoa de bem. O que me leva a um novo ponto.
3 º Em democracia as eleições são livres e justas. E por um se ganha e por um se perde. E como podemos nós dizer que "eles" são sempre os mesmos, se não fazemos duas coisas básicas: votar para mandar os que estão embora (sejam quem forem) e envolvermo-nos politicamente? Não é preciso ir logo para a Assembleia da República. As Juntas de Freguesia, as Assembleias de Freguesia, as Autarquias, os partidos, os movimentos cívicos, até, precisam de pessoas com valor e com ideias que saibam lutar e defender o que acreditam, e as mudanças que acreditam. Pode demorar o seu tempo, mas a nossa voz é ouvida. Como treinadores de bancada, desculpem, mas as opiniões são válidas, mas não servem para nada...
4º Dito isto, acho que o problema da abstenção se resolve de duas formas distintas, talvez contrárias com o que acima escrevi. Ou pela obrigatoriedade de votar, com multas pesadas para os prevaricadores. Ou, voltamos ao início, com o direito de voto a ser entregue a quem de facto o mereça e saiba o que vai fazer quando se "esconde" na mesa de voto. Como fazê-lo? Avaliação dos potenciais votantes através de um teste de cidadania, por exemplo.
5 º O Voto em branco pode ser uma forma de protesto, mas aqui em Portugal não funciona. Para já porque tenho sérias dúvidas que existam 50% dos votos mais um brancos que invalidem as eleições. Depois porque não funciona a lógica de, por exemplo, nas eleições legislativas, os lugares de deputados "brancos" ficarem vazios. Mesmo que seja 20% dos votos, os partidos mais fieis e talvez mais frágeis eleitoralmente agradecem terem aumentado as suas possibilidades de ter um maior grupo parlamentar.
6º Dito isto, acho trágico existirem os níveis de abstenção crescentes. Mas considero que para lá do desinteresse do cidadão na política e nos políticos, para lá da fraca qualidade da maioria de quem nos governa, acho que, também nós temos algumas culpas no cartório... Não basta apenas achar que o caminho tem apenas um sentido.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

A campanha

Ok, vamos dar o desconto que a campanha eleitoral para as europeias está formalmente na estrada há poucos dias e que o ambiente do País ainda não aqueceu ao nível político. Só dessa forma se explica o magistral bocejo que têm sido as várias reportagens dos candidatos. Senão vejamos:
Ontem as Tv´s filmaram Vital Moreira a fazer festas a um cão; Ilda Figueiredo a falar a umas mulheres à porta de uma loja, a dizer que a CDU defende o direito das mulheres que trabalham (how predictable can you be???); o Bloco, nem fixei, tão maçador que era. O CDS usou a mais-valia(?) de Portas (Nuno Melo ainda não é conhecido) e Paulo Rangel continua em salas pequenas, ambientes fechados, quando o seu ambiente natural deveria ser a rua. (E por falar nisso, arrangem, por misericórdia, uns slogans aos rapazes: "ninguém para o Rangel ooéeooo" não lembra ao careca...)
Esperemos que a tendência da campanha seja a de subir...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A fúria nacionalizadora

Analisando as últimas decisões económicas deste Governo, quase que se poderia imaginar um regresso a 75. Nacionaliza-se o BPN, “salva-se” (na aparência) o BPP e intervêm-se em todos os sectores onde este Executivo sente que, das duas uma: ou pode ganhar um voto ou pode controlar um sector estratégico para o futuro.

A questão da COSEC é mais uma asneira na longa lista. Todos os dias são anunciados milhões para isto e para aquilo, mas o desemprego não cessa de aumentar e, confesso, já não sei onde o Estado vai buscar tantos euros.

Pessoalmente, acho que estão à toa. Não sabem como lidar com esta crise – este PS cresceu e habituou-se ao fartar vilanagem dos tempos de Guterres e já não se lembra do FMI – e estão, literalmente, às apalpadelas e a ver se a crise passa por osmose.

A nacionalização da COSEC, a ir para a frente, é mais um graffiti a juntar no enorme muro das asneiras que cobre Portugal desde 2005. Uma vez mais, este Governo opta por passar um sinal político a um sector que, já de si e por norma, gosta de se encostar na enorme almofada aconchegada do Estado.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A realeza já não é o que era...

...e os comunistas também não. Então Pedro Namora rompe com o PCP e candidata-se à Câmara de Setúbal pelo PPM? E no meio continua a dizer que é comunista? E o PPM aceita, dizendo que o PPM é um partido comunialista (supondo eu que não seja uma mistura entre comunista e colonialista...)

Lá vamos, alegre e rindo...

Manuel Alegre diz que vai convocar o seu grupelho para analisar se fica ou sai das listas de deputados do PS à AR, o que, se acontecesse, implicava (digo eu), por uma lógica de coerência, uma saída da militância no PS. Claro está que tudo isto é fogo fatuo e que, no final, Alegre vai dizer que ponderou muito mas não se sente capaz de cortar esse cordão umbilical e que até está disponível, se Sócrates quiser, a integrar a lista de deputados do PS. Vai uma aposta??