Mostrar mensagens com a etiqueta Governo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Governo. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Outra vez???

A conferência de imprensa do Ministro das Finanças foi preparada certamente com cautela, as fugas para a Comunicação Social pensadas e a estratégia delineada. Ontem, supostamente, o Governo iria anunciar hoje cortes na despesa pública do Estado, que iriam permitir continuar no bom caminho e confirmar à troika a determinação deste Executivo.

Hoje, Vítor Gaspar pouco falou das medidas de contenção da despesa e do que fica da declaração sem direito a perguntas é o anúncio que o Governo vai aumentar de 6% para 23% a taxa de IVA para o gás e a electricidade, o que permitirá um encaixe estimado de 100M€.

Os senhores ministros e o PM estiveram reunidos durante 10 horas. E, uma vez mais, o que fica dessa reunião são, afinal, medidas para o Estado aumentar a receita à custa dos mesmos? Não percebo.

Bem pode o ministro das Finanças dizer que esta medida constava da troika já a partir do próximo ano e que este aumento irá ser minorado pela tarifa social para ajudar os mais necessitados. O problema, senhor Ministro, é que a classe média – se é que ainda existe classe média em Portugal – já são milhares de famílias necessitadas a viver na corda bamba e com pouca margem de manobra para sobreviver.

Muitas famílias hoje em dia contam todos os cêntimos para conseguir chegar ao fim do mês e ficam desfalcadas com alguma despesa extra que possa surgir. Estas são realidades que a classe política não consegue entender – a pobreza escondida - mas que tinha a obrigação de o fazer. No final de contas, foram eleitos, com muita esperança, por milhares de pessoas que achavam que tudo poderia ser diferente…

Senhor Ministro: Para quando o fim do regabofe no Estado, em empresas públicas, Câmaras Municipais e Regiões Autónomas? Se precisar de algumas dicas, é só pedir. Infelizmente, sei de muitas histórias de inúteis e perdulários que usam e abusam do Estado a seu bel-prazer…

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O meio-termo do que poderia ter sido uma boa ideia





A escolha dos dirigentes da administração pública vai deixar de ser através de nomeação directa do Governo e passa a ter de ser feita por concurso público e aberta a licenciados sem vínculo. Findo o processo de triagem, o responsável político escolhe, de entre os três seleccionados, um deles. Esta mudança irá afectar todas as nomeações -gerais, secretários-gerais e subsecretários-gerais, e de inspectores-gerais da administração pública e deixa de fora, para já, os dirigentes dos institutos públicos que continuam a ser escolhidos directamente pela tutela.

O princípio desta mudança é de louvar, mas fica aquém do que podia ser feito e não será, naturalmente, isento de críticas, até porque o processo de decisão final, pese embora a recomendação de um júri, será sempre do ministro, o que dará sempre azo a críticas. Justas ou não.

Ao alterar uma lei que vinha do tempo de Cavaco Silva que, diga-se, nunca foi eficazmente cumprida, o Governo perde aqui uma oportunidade de poder fazer mais e melhor. Explico:

Portugal nunca teve uma opção clara nesta matéria. Não o faz como, por exemplo, acontece nos EUA, onde em cada eleição, tudo o que é pessoal político nomeado cai com a queda da Administração. E não o faz, como por exemplo, no Reino Unido, onde os civil servants, tão bem descritos na série Yes Minister, passam governos porque, justamente, são quadros da administração pública. A proposta do Governo dos tempos de Cavaco Silva tentou colocar Portugal ao nível dos EUA, mas esqueceu-se de definir que o término das funções cessava com a saída do Governo, o que fez com que, em Portugal, quadros dirigentes da Administração Pública nomeados pelo Governo anterior se mantivessem em funções no Governo seguinte ou, em opção, de saída, após uma choruda indemnização.

Por outro lado, ao prolongarem por 5 anos estas nomeações, eventualmente renováveis, irá fazer com que o próximo Governo acabe por ter que decidir sobre escolhas do anterior, num critério que terá que ter em linha de conta não apenas a competência profissional mas igualmente a confiança política.

Porque não aplicar-se a regra que existe nos gabinetes do Governo? Assegurava-se um período de transição e passagem de pasta (três meses por exemplo) e quem fosse para estes cargos saberia desde já o que os esperava: seriam nomeados à entrada e saberiam que têm bilhete de saída com a queda do Executivo. Seria tudo francamente mais fácil e transparente.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Ajudar quem mais precisa



As medidas enunciadas pelo Governo para o Plano de Emergência Social chocam pela sua simplicidade e bom senso.

Num País como Portugal, onde o luxo de poucos convive com a miséria de muitos, as medidas agora apresentadas irão certamente permitir que esses muitos possam agora ter uma vida um bocadinho melhor.

Resta agora saber se as várias estruturas que irão fazer “isto” avançar, não ficam emperradas pela burocracia, o peso do Estado, ou a inércia de alguma luminária. Se servir de inspiração, fica aqui a dica: diversas instituições ligadas à Igreja Católica, como por exemplo a Sociedade de S. Vicente de Paulo, fazem-no, infelizmente, há já muito tempo. Qualquer dúvida, perguntem a quem sabe ok?

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Sem vergonha



O Álvaro estreou-se na Assembleia da República a dizer, olhos nos olhos, que, quando chegou ao Ministério da Economia, ficou chocado com o clima de ostentação que lá se vivia, com carros topo de gama, excesso de pessoal e mordomias várias. E o que disseram os deputados do PS, entre os quais pontuavam muitos com as responsabilidades a que isto chegou? Riam-se alarvemente – se calhar pensaram que estavam no circo - e chegaram ao ponto, como Paulo Campos, aquele ajudante do PS, que colocou incompetentes no seu gabinete e nos CTT, de questionar as escolhas dos colaboradores do ministro.

Este PS não tem vergonha na cara. É a oposição que temos. É o País que temos. Lamentável…

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Eu comento, tu críticas, ele censura

É cíclico e já não se devia estranhar. Estando o PSD na oposição ou no Governo, há sempre vozes críticas. Porque o líder da oposição é “frouxo” (Durão Barroso), não tem o “carisma” de Cavaco Silva (Fernando Nogueira), porque se quis coligar com o CDS/PP (Marcelo), porque era “a velha” (Ferreira Leite), etc.,etc., etc.

Os epítetos, nem sempre simpáticos e muitas vezes ditos a coberto do anonimato e amplificados pela Comunicação Social, sempre ávida de uma boa polémica, cilindraram líderes, afastaram amigos, dividiram equipas e provocaram mossa. No PSD, vive-se o drama de ser conhecido como o partido mais português de Portugal, com todos os seus defeitos e virtudes. Quando a hora chega, assumem-se como vizinhas que adoram um bom mexerico.

No poder, a tendência é as críticas esvaírem-se, as pessoas tornarem-se acéfalas e ficarem mais papistas que o Papa. E, claro, quando as vozes críticas surgem a quebrar o suposto unanimismo, aparecem logo umas virgens ofendidas a pedir a cabeça de A, B ou C só porque aquele malandro, ainda por cima militante do partido, disse o que pensava sobre o líder, que pode ser da oposição ou por acaso já primeiro-ministro. Não deixa de ser verdade, porém, que muitas das críticas que ouvimos não têm qualquer sentido e surgem por puro ressabiamento.




Acontece no PSD, como aconteceu no PS, no CDS/PP, no BE e no PCP. Não é novidade.

Confesso que nunca fui de gostar de unanimismos e faz-me impressão que as pessoas achem que têm de se calar ou consentir só porque agora o Governo é outro, mesmo que seja da nossa cor política. Todos os Governos, quaisquer que sejam, mesmo aqueles nos quais votamos, cometem erros. Não são perfeitos. E será sempre bom que os primeiros avisos de que algo não está bem partam de quem votou neles e que, supostamente, terão a sua opinião valorizada porque estas primeiras críticas podem surgir como avisos à navegação para corrigir supostos erros.

Dito isto, também considero que há fóruns próprios para o dizer e é em reuniões partidárias que tudo deve ser falado e esclarecido. Confesso igualmente que me choca ver que os primeiros a atirar a pedra da intolerância contra os seus companheiros partidários são os mesmos que criticam tudo e todos, minam a credibilidade de quem não é da sua corrente no partido e, nas reuniões partidárias, tudo fazem para desacreditar quem não pensa como eles, roçando as vezes a má criação, o insulto e a arrogância.

Não é simpático ouvirmos coisas que não gostamos e choca-nos que às vezes essas críticas sejam feitas por quem, supostamente, deveriam ser os primeiros a apoiar-nos. Mas é importante saber ouvir, perceber o sentido da crítica e demonstrar por actos e acções que o que nos acusam é falso ou admitir que possa ter algum fundo de verdade, quando é esse o caso. Mesmo que isso implique ir contra respeitáveis “políticos-comentadores” ou “comentadores-políticos”…

No PSD, Pedro Santana Lopes percebeu tarde demais que os voluntarismos defensivos de Rui Gomes da Silva por causa das críticas veladas de Marcelo lhe custaram caro. Terá Passos Coelho a capacidade de controlar os seus “papistas” a tempo?

Comunicação, protagonismos e erros de avaliação



Luís Paixão Martins escreve no Briefing que “muitas vezes, os consultores de Comunicação tendem a arrastar os seus aconselhados para aventuras mediáticas apenas porque eles próprios, os consultores, têm ambições de protagonismo. Trata-se de um erro fatal a que podemos chamar da doença infantil das PR”.

O mesmo se aplica quando se fala das decisões do Governo. Já aqui aqui escrevi, anteriormente, que este governo, mais do que decidir, terá que ganhar tempo em comunicar as suas decisões e não se deixar levar pelo deslumbre de um qualquer assessor de imprensa, estratega de comunicação ou político menos experiente que tenha especial gosto em aparecer no telejornal das 20 horas só porque sim.

Para garantir encaixe financeiro imediato, optou-se pelo mais fácil. Começámos com cortes na receita, com aumentos de impostos, com subidas draconianas de preços de serviços essenciais para quem já pouco tem. A decisão de aumentar os transportes públicos e o anúncio de os aumentar outra vez já em Janeiro, sem que isso acompanhe, por exemplo, o fim dos privilégios de administrações regiamente bem pagas, é um sinal grave que pode comprometer as boas intenções do Executivo.

Costuma dizer-se que os Governos se esquecem de ouvir a rua. Em Portugal, a coligação PSD/CDS-PP ainda está a conhecer os cantos à casa e está num período de graça, com uma oposição em cacos. E a rua e a sociedade civil estão praticamente silenciosas.

Mas, se continuar na senda de cortes, a sacrificar sempre os mesmos, sem explicações do seu porquê e escudando-se apenas nas imposições da Troika e de que o país está de rastos, temo que o caminho não seja famoso. O que é pena. Portugal e este Governo têm uma oportunidade de ouro para fazer diferente e fazer a diferença. Seriam muito bom que não falhassem.

(Declaração de interesses: tal como milhões de portugueses contribui, com o meu voto, para a vitória deste Governo).

terça-feira, 26 de julho de 2011

Encomendas?




É, de facto, extraordinário! Este Governo está há pouco mais de um mês em funções e, aqui e ali, começam a aparecer notícias de um alegado mal-estar entre o PSD e o CDS/PP por causa das escolhas do primeiro-ministro, por causa do peso do CDS nos gabinetes, devido ao protagonismo de Paulo Portas, de Passos Coelho e de tudo o mais que se possam lembrar…

Desconheço se é verdade o que se passa. Li, já não sei onde, que uma suposta fonte do PSD dizia a um jornal qualquer coisa deste género: “este governo tem tudo para funcionar mal e será por isso que funcionará bem”.

Apenas sei que tenho memória e que esta história aparece nos jornais sempre que a direita está no poder e, helás, quando aquele-malandro-do-paulo-portas-que-era-jornalista-e-que-traidor-agora-até-é-político-e-imagine-se-ministro-e-dos-negócios-estrangeiros-e-ainda-por-cima-consegue-ir-para-o-governo!

Aconteceu, em 2002, com Durão Barroso/Paulo Portas e, mais agravado, em 2004, com Santana Lopes/Paulo Portas. Primeiro começaram as notícias de tensões na coligação, depois o mal-estar entre ministros, o peso dos independentes e acabou com tudo o que era supostamente barão, conde e marquês do PSD (e do CDS, em menor medida) a dizer que o Governo não prestava e era mau. E o PR lá fez o que, em teoria, se esperava…

Os tempos não estão para brincadeiras e este Governo não poderá, mesmo falhar. Irá certamente cometer erros, como todos, mas será julgado por isso quando a legislatura acabar.

O mínimo que se pede a todos é que sejam sérios. Não criem tensões artificiais, que não existem, e vamos deixá-los trabalhar. Era simpático, não?

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A Comunicação do novo Governo




Depois de um Governo que muito comunicava e que muito pouco ou nada dizia que correspondesse à realidade, os Portugueses esperam agora que lhes falem a verdade. Os tempos não estão para brincadeiras e os sinais de mudança, pelo menos política, estão aí. E já não falo da mudança – simbólica – das viagens de Estado de Executiva para Económica, algo que Passos Coelho já fazia enquanto líder do maior partido da oposição e que seria expectável que mantivesse enquanto PM. Falo, isso sim, de todo um estilo diferente de governação que, a confirmar-se, irá fazer doutrina e condicionar os próximos Governos do futuro.


Dizem os mentideros, que o Primeiro-Ministro irá fazer uma estratégia comunicacional à Obama: briefings semanais, onde tudo é explicado aos Media. Oxalá assim seja. Portugal vive a ironia de ter grupos de Comunicação Social ligados à direita, mas onde o predomínio de quem escreve, opina e decide é, tendencialmente, de esquerda. O desafio, para o PSD, neste Governo, é por isso árduo: está condicionado pelas decisões da Troika, tem de dar explicações ao parceiro da coligação, convencer uma Comunicação Social de esquerda que o percurso é este e só poderia ser este e, mais importante que tudo isso, mostrar aos Portugueses e a Portugal que, com este caminho, o País regressa à senda de sucesso.

Alessandra Augusta, a marketeira brasileira que desenhou a campanha eleitoral do PSD, diz que o grande trunfo dos sociais-democratas foi a própria personalidade e autenticidade do agora Primeiro-Ministro. Passos Coelho, disse ela numa entrevista recente ao semanário Sol, foi deixado o mais natural possível e que «foi muito mais ele a contribuir para que nós só déssemos forma às coisas do que o marketing a interferir directamente. Se Passos Coelho tivesse um perfil mais artificial não teria avançado tão rapidamente».

Sabemos também que o estado de graça deste Governo irá durar enquanto o que foi vendido aos Portugueses continuar a ser mostrado como algo de credível e real e não apenas como um face lifting de algo que se faz porque é giro e pode manter a malta animada.

Ao romper com determinadas lógicas aparelhísticas de Governo – contam-me que há muitos ministeriáveis que ficaram aborrecidos porque o telemóvel deles não tocou – ao não ceder ao Partido e a Lobbies que queriam impor determinada pessoa para determinado cargo, Passos Coelho inaugura também um novo estilo de governação. As escolhas para a Economia e Finanças, por exemplo, são apostas pessoais do líder do PSD, que terão mesmo que dar resultado. Sob pena de os primeiros que as aplaudiram agora serem, no futuro, os mesmos que irão pedir a cabeça do Primeiro-Ministro se algo correr mal.

A estratégia deste Governo deve resumir-se, por isso, a uma só palavra, repetida até à exaustão: comunicar, comunicar, comunicar. Os tempos estão difíceis, tudo indica que ainda serão agravados, e nada pior do que não existir uma estratégia integrada de comunicação que explique, aos Portugueses em geral e aos investidores estrangeiros em particular, que Portugal entrou no bom caminho. Relembro que, a direita, no nosso País, sempre teve alguma dificuldade em fazer passar a sua mensagem, ao contrário da esquerda. Mas confio que, pela primeira vez desde há muitos anos, haverá aqui uma conjugação favorável que deverá ser aproveitada.

Costuma-se dizer que não há uma segunda oportunidade para criar uma primeira boa impressão. Por tudo o que vimos até agora, acredito que esta equipa terá tudo para dar certo. Oxalá não falhem.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O novo Governo


Este governo está cheio de ironias e piadas fáceis: três Santos (na Defesa, no Trabalho e nas Finanças) - e como se sabe, Santos da casa não fazem milagres...; um amado nos Estrangeiros; uma cunha na Presidência (no comment); um serrano na agric...ultura, um pássaro no Ambiente, um gago no ensino superior e um valente na secretaria de Estado da Presidência do Conselho... isto promete!!!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A fúria nacionalizadora

Analisando as últimas decisões económicas deste Governo, quase que se poderia imaginar um regresso a 75. Nacionaliza-se o BPN, “salva-se” (na aparência) o BPP e intervêm-se em todos os sectores onde este Executivo sente que, das duas uma: ou pode ganhar um voto ou pode controlar um sector estratégico para o futuro.

A questão da COSEC é mais uma asneira na longa lista. Todos os dias são anunciados milhões para isto e para aquilo, mas o desemprego não cessa de aumentar e, confesso, já não sei onde o Estado vai buscar tantos euros.

Pessoalmente, acho que estão à toa. Não sabem como lidar com esta crise – este PS cresceu e habituou-se ao fartar vilanagem dos tempos de Guterres e já não se lembra do FMI – e estão, literalmente, às apalpadelas e a ver se a crise passa por osmose.

A nacionalização da COSEC, a ir para a frente, é mais um graffiti a juntar no enorme muro das asneiras que cobre Portugal desde 2005. Uma vez mais, este Governo opta por passar um sinal político a um sector que, já de si e por norma, gosta de se encostar na enorme almofada aconchegada do Estado.

sábado, 7 de março de 2009

Magalhães dá erro

A notícia de que o Magalhães dá erro seria risível se não fosse sério. O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos disse, numa citação mais ou menos livre que não é por o programa ter erros que se diminui a utilidade do computador. No fundo, é (quase) como este Governo. Dá erros, às vezes diverte, mas infelizmente está cada vez mais longe de ser útil.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A falta de fair play

Santos Silva, o irrepetível Ministro dos Assuntos Parlamentares, quer que a RTP lhe apresente um pedido de desculpas porque o Canal Estatal usou, na promoção à sua entrevista, a frase "Malhar na direita". Não deixa de ser irónico que Santos Silva, membro do Partido e do Governo que mais têm tentado controlar a Comunicação Social, esteja agora preocupado com declarações feitas pelo próprio no calor de uma reunião partidária. Haja pachorra!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Na mouche

Com a devida vénia ao DN

O APELO À MAIORIA ABSOLUTA, Pedro Lomba
«No espaço duma semana, dois antigos presidentes da República, Mário Soares e Jorge Sampaio, alertaram publicamente para o risco sério de a crise poder tornar Portugal "ingovernável". Por causa disso, Soares recomenda que uma nova maioria absoluta para o PS pode ser a solução. E Sampaio, sem se comprometer tanto, não deixa de dizer que "o problema de governabilidade, oculto pela existência de uma maioria absoluta, pode irromper nos próximos tempos de forma dramática". Não é abusivo concluir que, tal como Soares, Sampaio prefere que a maioria absoluta do PS se mantenha.
Nenhum desses avisos vem por acaso. O facto é que o principal interessado neste discurso, o Governo, já entrou em campanha eleitoral para revalidar a maioria absoluta. Como desta vez não há o caos de 2004 nem o efeito Santana Lopes, o PS precisa de diversificar as suas fontes de inspiração. Sócrates pode assumir a paternidade de medidas externas como a descida dos juros, que ninguém o questiona. Mário Lino quer detalhes completos sobre que inaugurações andam por aí a ser celebradas para o Governo não perder oportunidades. E o Conselho de Ministros aprovou patrioticamente a mais recente oferta às construtoras civis de permitir ajustes directos, um procedimento excepcional e sempre melindroso, para empreitadas com o valor anódino de 5,150 milhões de euros. São assim os governos com maioria absoluta.
O pressuposto de que a nossa governabilidade depende da existência de maiorias absolutas obedece a uma certa lógica histórica. Quando no final da década de 80 Cavaco Silva insistia na maioria absoluta como condição de governabilidade, estava a falar para um País anormal onde os governos não conseguiam terminar uma legislatura. Mas as nossas circunstâncias mudaram. Hoje, o discurso da governabilidade como fundamento duma maioria absoluta não pode repetir o velho diapasão da estabilidade, porque a questão da governabilidade do País não pode ser reduzida à simples estabilidade institucional.
O que tanto Soares como Sampaio não disseram com clareza é que, como estes últimos anos demonstraram, uma maioria absoluta pode ser suficiente para gerar estabilidade institucional, mas insuficiente para trazer estabilidade política. A estabilidade política precisa de mais do que um Governo com a liberdade para aprovar leis no Parlamento e o poder para se defender das oposições. Fazer de Portugal um sítio governável implica actuar sobre as causas que há dez anos nos impedem de crescer e sair da estagnação. Que valor pode ter um Governo de maioria absoluta, do PS ou do PSD, que se mostra incapaz de afrontar os problemas essenciais do País e de abrir perspectivas? A estabilidade depende dessa coragem e não das maiorias absolutas.»

Os filhos e os enteados


Conta o Diário de Notícias, na sua edição de hoje, que alguns ex-alunos do Colégio Militar estão possessos com o uso que foi dado à instituição e aos petizes, que foram cantar as Janeiras a São Bento.

Concordo com a indignação, até porque, como o jornal lembra, e bem, os meninos da Luz foram impedidos de participar numa inciativa de homenagem ao Rei D. Carlos tendo por base um despacho do Ministro da Defesa Nacional no qual se evoca que o Colégio Militar não poderia participar em acções de carácter político.

Claro está que tudo isto foi esquecido, com o cantar das Janeiras a São Bento. E bem lembrado por quem de direito.

Sejamos francos. Não que esta questão seja propriamente dramática. Longe disso. Mas serve de exemplo de como este Governo usa e abusa a seu bel-prazer das regras e das leis para sua própria conveniência. Estamos entregues à bicharada!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Num País normal


Num País normal, a ideia de Manuela Ferreira Leite de debater com o PM propostas e soluções para a crise que se vive em Portugal seria bem-vinda. Para o Governo, para o País e para os Partidos.


Infelizmente não estamos num País normal e a pequena política volta a sobrepor-se aos valores reais e da Nação. Compreendem-se os receios de Sócrates. Ferreira Leite é Economista de formação e podia dominar o debate e colocar a nu algumas propostas que o Governo tem para combate à crise (vide a proposta esgotada de mais obras públicas).


Ao não responder ao repto do PSD - e ao adoptar a táctica do achincalhamento ao lembrar que Ferreira Leite não é deputada no Parlamento - o Governo tenta menorizar a posição social-democrata.


Mas, a meu ver, sai o tiro pela culatatra. Ninguém gosta de sentir sobranceria e arrogância. E Sócrates, que pelo que se viu na entrevista da SIC até está bem preparado em várias matérias, poderia, nesse(s) debate(s) arrumar com o mito Ferreira Leite. Ao recusar o debate, o PM acabou por valorizar mais a posição do PSD e da actual Direcção Nacional.


Quem haveria de dizer que, neste momento, o seguro de vida da líder social-democrata acabria por ser o Governo?

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Para reflectir...

(com a devida vénia ao DN)

UM NOVO PRESIDENCIALISMO?
Maria José Nogueira Pinto Jurista

Começamos o ano com apenas duas peças no tabuleiro de xadrez: Cavaco Silva e José Sócrates. Em confronto, aliás nada inocente, provocado após premeditação pelo primeiro-ministro que, como então já se percebia, quis estabelecer pela ruptura um antes e um depois nas relações entre ambos. Porque Cavaco, no penoso esvaziamento da direita partidária, corre o risco de corporizar, mesmo à sua revelia, a única oposição eficaz ao Governo; pode fazê-lo após dois anos de mandato em que, ao contrário do que muitos auguravam, se assumiu como Presidente sem tiques de ex-primeiro-ministro; porque construiu uma agenda própria e quando se esperava que no discurso de posse falasse de economia e de finanças, falou de exclusão; porque foi apontando certeira e oportunamente as verdadeiras questões: a desigualdade na distribuição dos rendimentos, a emergência da nova pobreza, as excessivas remunerações dos gestores públicos e privados, o risco de um mau sistema judicial, os perigos da corrupção.
Não adianta o Governo querer circunscrever a questão dos Açores ao Parlamento, ou mesmo a Lei do Divórcio, pois já vimos que Sócrates ainda manda calar a quase totalidade da bancada do PS quando algum agendamento se mostra inoportuno. Foi, sim, uma tentativa de fragilizar o Presidente, agora instituído em adversário, antes do grande ano eleitoral em que Sócrates apela a uma maioria absoluta por falta de comparência dos seus naturais adversários à direita. De facto, o que é que lhe faz frente? Não certamente uma crise global que pôde sacudir do seu capote, o medo generalizado que é a arma preferida da manipulação, o País olhos postos no Governo, único órgão executivo, a possibilidade de fazer pacotes de medidas que, pelo seu efeito calmante, prescindem de análises mais profundas em nome da estabilidade e confiança, o álibi para dar a estes e não àqueles, para acudir aqui e não acolá, para distribuir subsídios como balões de oxigénio, sem que se percebam os critérios. E, sobretudo, a impossibilidade de ser avaliado pelo que não fez ou fez mal, porque esta crise de costas realmente largas tornou impossível qualquer análise crítica da carta de navegação que, qual orgulhoso timoneiro, nos descrevia como uma verdade absoluta, no Parlamento e na televisão.
Um Sócrates bem diferente daquele que, há três anos, mostrou energia e iniciativa para iniciar um processo reformista - de que outros, com mais obrigações, se escusaram - movido pelo desígnio, um pouco cândido, de modernizar Portugal, combater o défice e dar a cada criança um computador. Era simpático, esse Sócrates... Até ao dia em que marcou outro antes e depois com uma remodelação-relâmpago e de mau presságio, ficou preso entre o seu autoritarismo e o medo da rua, avançou e recuou, pareceu perder o norte e, agora, é apenas um primeiro-ministro candidato a primeiro-ministro.
Mas o que realmente interessa nesta volta da política portuguesa é o facto de um lado termos um vendedor de facilidades e irrealismos e do outro um Presidente que pode continuar a pôr o dedo nas feridas, certo que só as curaremos se as virmos bem. Cavaco só pôs a nu a ameaça de derrota do sistema pelo próprio sistema. Uma derrota moral fruto da decadência em que progressivamente nos fomos instalando: o Estado, os partidos, as instituições, a economia, os corpos intermédios, as famílias, os cidadãos. Uns pecando por acção, outros por omissão, quase todos criticando mas fechando os olhos e estendendo a mão, consentindo na priorização do efémero, do acessório, do imediato, do que parece mas não é, da transformação da política num jogo egoísta e infantil. Talvez nos fizesse bem um regime presidencialista...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Deve ser por isso que é considerado o pior ministro das Finanças dos 27...

Governo admite que o défice para 2009 poderá chegar aos 3% em 2009 (depois de ter avançado com o número de 2,2%...).

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

É desta que compro o Porsche...


«O plano de ajuda ao sector automóvel, anunciado esta quarta-feira pelo Governo vai custar 900 milhões de euros. Este plano tem quatro componentes e envolve linhas de crédito, apoios à formação profissional e incentivos à compra de carros», diz a TSF.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Percepções e realidade

Em Ponte de Lima, José Sócrates distribuiu a nova coqueluche do Governo: o Magalhães. Até aqui tudo normal. Ou quase. Parece que os computadores foram só enviados para a fotografia. Finda a cerimónia, com os petizes felizes e contentes e o PM a fazer a habitual acção de propaganda, os portáteis foram recolhidos e encaixotados. E, digo eu, enviados para uma outra escola no País profundo, onde um qualquer (ir)responsável desta maioria que nos governa irá proximamente fazer o mesmo número. Ou algo semelhante.

Sinceramente, não percebo. A impunidade com que este Executivo, na sua suprema lata nos governa, deveria tirar uma pessoa do sério. E já nem sequer falo de alguns critérios duvidosos, dignos de um qualquer ditadorzinho terceiro mundista, com que temos sido brindados ao longo destes últimos anos.

Vejamos o que se passa aqui em Cascais. Estivemos anos (repito: anos) à espera que Suas Excelências se dignassem a iniciar as obras no Hospital; quiseram tirar-nos a Oncologia; construímos e entregámos os novos Centros de Saúde, que também estiveram que tempos para abrir. E no meio de tudo isto, entre medos de protagonismo da Junta de Turismo da Costa do Estoril e amiguismos vários, criam uma lei à medida das suas ambições e forçam a extinção deste organismo quase centenário.

Pelo meio, dizem à boca cheia que as Câmaras Municipais são caloteiras e não pagam a este mundo e ao outro. Mas esquecem-se que, em Cascais, são 13 milhões de euros que deviam estar deste lado e, inexplicavelmente, estão nas mãos do Governo.

Seria patético, se não fosse para levar a sério.

Infelizmente, a diferença entre a percepção que o Governo tem e a realidade com que nos brinda é cada vez mais gritante.

(Artigo de opinião publicado no Jornal + Cascais de 21 de Novembro)