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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Diplomacia paralela

A ida de José Sócrates a Berlim e a Madrid, para ter encontros privados com Ângela Merkel e Zapatero, poucos dias antes do périplo europeu de Pedro Passos Coelho é grave. E é grave porque o ex-PM parece que ainda não se habitou ao facto que perdeu as eleições, já não manda no País e que há novos actores e decisores políticos, eleitos num acto transparente e democrático. Eu sei que todos estes conceitos de transparência e democracia deverão ser certamente algo estranhos a quem se habituou, durante seis longos anos, a achar que vivia numa quintinha onde vigorava o seu quero, posso e mando.
Os mais ingénuos podem até alegar que Sócrates foi rever velhos amigos – estava a escrever esta frase e a lembrar-me do vídeo no Youtube onde Sócrates discursa em inglês após uma cimeira europeia com os seus “amigos” a rirem do seu inglês técnico – e que estes encontros foram inócuos.
O problema é que em política, como se sabe, o que parece é. Sócrates não reviu velhos amigos, mas foi fazer diplomacia paralela, com Portugal a ser o tema dominante da agenda. E foi colocar pedras no caminho do Primeiro-Ministro e, mais importante que isso, fragilizar a posição de Portugal. Num País normal, teríamos já reacções, incluindo do próprio PS, a condenar esta atitude déspota e prepotente de alguém que, infelizmente, ainda não percebeu qual o seu lugar.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Encomendas?




É, de facto, extraordinário! Este Governo está há pouco mais de um mês em funções e, aqui e ali, começam a aparecer notícias de um alegado mal-estar entre o PSD e o CDS/PP por causa das escolhas do primeiro-ministro, por causa do peso do CDS nos gabinetes, devido ao protagonismo de Paulo Portas, de Passos Coelho e de tudo o mais que se possam lembrar…

Desconheço se é verdade o que se passa. Li, já não sei onde, que uma suposta fonte do PSD dizia a um jornal qualquer coisa deste género: “este governo tem tudo para funcionar mal e será por isso que funcionará bem”.

Apenas sei que tenho memória e que esta história aparece nos jornais sempre que a direita está no poder e, helás, quando aquele-malandro-do-paulo-portas-que-era-jornalista-e-que-traidor-agora-até-é-político-e-imagine-se-ministro-e-dos-negócios-estrangeiros-e-ainda-por-cima-consegue-ir-para-o-governo!

Aconteceu, em 2002, com Durão Barroso/Paulo Portas e, mais agravado, em 2004, com Santana Lopes/Paulo Portas. Primeiro começaram as notícias de tensões na coligação, depois o mal-estar entre ministros, o peso dos independentes e acabou com tudo o que era supostamente barão, conde e marquês do PSD (e do CDS, em menor medida) a dizer que o Governo não prestava e era mau. E o PR lá fez o que, em teoria, se esperava…

Os tempos não estão para brincadeiras e este Governo não poderá, mesmo falhar. Irá certamente cometer erros, como todos, mas será julgado por isso quando a legislatura acabar.

O mínimo que se pede a todos é que sejam sérios. Não criem tensões artificiais, que não existem, e vamos deixá-los trabalhar. Era simpático, não?

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Uma nova esperança


À conta do meu amigo António Pinheiro Torres fui ouvir o Pedro Passos Coelho no outro dia num encontro semi-privado com militantes/simpatizantes do PSD. Confesso que gostei. Ainda não tinha tido oportunidade de estar face a face com Passos Coelho e o grupo de pessoas envolvidas neste semi-debate permitiu explorar novas ideias, debater o actual momento do País e do Partido.


Sem querer entrar em grandes detalhes relativamente ao que foi falado, até porque a ideia destes econtros é a do debate interno - ou seja, que não transpareça cá para fora o que foi falado lá dentro - devo dizer que saí muito animado. Pedro Passos Coelho é pragmático, tem ideias concretas sobre o País e o status quo actual da direita e dos Partidos em Portugal. E parece-me ser uma pessoa de muito bom senso, o que, infelizmente, parece que é o que tem faltado muito no PSD nos últimos tempos.


Acima de tudo, dá a ideia que está muito bem aconselhado e que tem já uma equipa montada.


Passos Coelho pode ter perdido a luta pela liderança. Mas está a ganhar um capital de esperança que, leve o tempo que levar, pode dar os seus frutos no futuro. Oxalá consiga.